segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Relato do meu parto...


Sr Diretor desta Maternidade:
Gostaria que o senhor lesse essa carta até o final e que tomasse as devidas providências para que outras mães não passem pelo mesmo que eu...
Meu nome é Caroline B. do Carmo Anacleto, tenho 28 anos, sou casada há 7 anos e nosso filho nasceu nesta maternidade. Veja o que houve....
Depois de 6 anos e meio de tentativas, conseguimos engravidar, o que nos trouxe muita alegria e as preocupações gerais de uma gestação....
Minha gestação correu tranquila, não tive nenhuma intercorrência e nada além de alguns sintomas normais...
Prá mim não foi como nas novelas ou comerciais de margarina, não gostei de estar grávida, alterou muito meu humor, meu jeito de ser e apesar de tudo o que eu mais querer era o filho, não gostei de estar grávida e ponto.
O tempo passou e chegou a hora do nosso Davi nascer... a escolha da cesárea foi nossa, minha e de meu marido, nossa obstetra sempre muito querida nos acompanhou desde o começo e sempre tirou nossas dúvidas e me passou muita segurança.
Minha cesárea foi marcada para terça, dia 03 de setembro de 2013, às 13:30, nesta maternidade. Minha sobrinha nasceu aí, outras amigas tiveram bebês aí, então, eu dormi tranquila na véspera e estava calma quando me internei... já tinha lido muito a respeito e trocado figurinhas com outras mãe...
Sabia que a cesárea é uma cirurgia, sim, podia ter uma recuperação difícil, sim, ia doer depois, claro...mas nada me preparou para o que houve....
Fiz o internamento e fomos, meu marido e eu para a sala esperar o centro cirúrgico me chamar. Me chamaram, fui preparada, me levaram para o centro cirúrgico pediram que eu deitasse , a enfermeira colocou o acesso na minha mão, ela foi extremamente gentil, conversou comigo e disse que logo viria uma anestesista fazer o procedimento.
Enquanto isso minha obstetra conversou com meu marido e minha mãe, meu marido foi levado para uma sala para colocar a roupa e poder entrar na hora do parto.
Então a anestesista chegou, Dra Sara, veio começou a fazer várias perguntas, disse que faria uma raqui, eu perguntei se eu ia vomitar, porque eu tenho verdadeiro pânico disso, ela foi simplesmente grossa e disse que não podia garantir que o meu mental contava muito, eu disse que isso não era problema, porque tem mais de 15 anos que não vomito e não ia ser naquele dia. Perguntei o que eu ia sentir com a anestesia, ela disse que quase nada, só o movimento de tirar o bebê, como se fosse uma pressão. Então ela  mandou que eu sentasse com as pernas abertas na mesa para ela me anestesiar. Ninguém me ajudou a sentar... pense em eu com uma barriga de 9 meses, a posição de pernas abertas na mesa era difícil de se fazer e ela não estava nem aí....
Uma moça ajudou ela a me colocar na posição, ela disse que eu tinha que ficar quieta porque se errasse faria tudo de novo. Não doeu pra levar as 3 picadas que levei, o que doeu foi na hora que ela acertou algum lugar que fez minha perna pular e ela disse “ela tem que ficar quieta, se eu errar ela fica paralítica...” Imagine o que eu pensei na hora! Isso lá é coisa que se diga!
 E nisso a moça que estava ajudando me empurrando pra frente de um jeito que pensei que o Davi ia nascer naquela hora.
Então a “anestesia” foi dada... me deitei e logo minha obstetra estava lá, começou uma movimentação, colocaram o pano pra eu não ver nada e naquela hora eu soube que logo nosso Davi estaria em nossos braços... Perguntei do meu marido e disseram que ele logo ia entrar...
Eu continuava sentindo minhas pernas, mas achei que era normal e logo eu não ia sentir....

Então passaram algo gelado na minha barriga, eu disse na hora estou sentindo vocês passando algo gelado, era prá sentir?” e a anestesista disse não, vc está sentindo elas passarem  e não o gelado...” e eu respondi não, estou sentindo o gelado, estão passando algo gelado em mim!” comecei a me preocupar e perguntei “é pra eu estar sentindo as pernas? Eu continuo sentindo...” ela mandou eu levantar a perna o que fiz na hora, ela disse “ah mas está pesada né?!” eu respondi não!”.
Então ela pegou uma agulha de seringa e espetou na minha barriga eu senti na hora, depois espetou no meu braço e perguntou se eu tinha sentido eu disse que sim mas ela falou que na minha barriga ela tinha enfiado a agulha inteira e no braço só encostado. Que era pra eu me concentrar  porque o mental atrapalha....
Minutos depois minha obstetra perguntou se podia começar, a anestesista disse sim... 
Então eu senti 3 cortes do bisturi, foi rápido, rasgou minha carne e eu nunca senti dor parecida na vida... gritei na hora “eu estou sentindo!” ,“senti isso! ”, “doeu!”, minha obstetra parou na hora e falou “não pegou?”, a louca então pediu por um remédio e falou que ia me apagar porque eu estava agitada e eu falei várias vezes mas eu estou sentindo, estavam me cortando....” ela disse que não, que eu não devia fazer isso com meu bebê, que teriam que tirar ele rápido e eu num total desespero continuei dizendo que estava sentindo, que não estava inventando, quase que pedindo desculpa por ela ter que me apagar...  
Nisso alguém perguntou se meu marido podia entrar, pois ele já estava pronto, ela disse que não, que ninguém entrava lá, que ele ia ficar lá fora.
Ela injetou alguma coisa no soro e em menos de 5 segundos eu apaguei.
Não sei por quanto tempo fiquei apagada, quando acordei tinham várias pessoas em volta de mim quase que gritando “respira Caroline, você precisa respirar...!”, apaguei de novo, quando acordei estava com uma dor insuportável, como nunca tive na vida,  estava gemendo de dor, comecei a perguntar aonde eu estava, uma moça disse que no hospital, comecei a perguntar se tinha sofrido um acidente de carro, ela disse que não, eu tinha tido um bebê, eu perguntei se tinha batido numa árvore, ela disse não...você teve um bebê, ele está no berçário, você não lembra? Eu respondi “minha mãe vai me matar...” ela deu risada e disse “não, você é casada, seu marido tá lá fora preocupado com você.” Continuei falando do acidente durante um tempo, gemendo de dor, pedindo remédio, qualquer coisa que aliviasse....Cheguei a pedir que Deus me levasse, tamanha era a dor...
Nisso veio a anestesista, a louca,  parou do meu lado e disse “você sabe quem eu sou, respondi que não, ela disse prá eu parar com aquilo, que eu devia ter vergonha de fazer uma coisa daquelas, que eu sabia muito bem onde estava, para parar com a palhaçada, que meu marido não merecia isso, que ele estava lá fora desesperado por minha causa, que eu não merecia meu filho que estava no berçário, que tinha tanta mulher no mundo querendo ser mãe e eu falando que tinha batido o carro, que já tinha dado, que era pra eu parar com aquilo...”
Me senti a última das mortais e cheguei a pedir desculpa pra ela, disse que ela tinha me dado alguma coisa, porque eu não lembrava de nada, mas que tudo bem se eu tinha tido um filho...
Graças ao bom Deus ela foi embora, antes uma enfermeira perguntou se eu já podia subir, ela disse que não porque como ia me mandar para o quarto se eu nem lembrava que tinha tido um filho, meu marido ia dizer o que?
Passou mais um tempo, me deram uma injeção na perna para dor, que não resolveu nada, eu continuei gemendo, mas aos poucos fui lembrando de tudo... um enfermeira ia conversando comigo de vez em quando.
Quando confirmei que tinha tido o Davi, que sabia porque estava ali, me levaram para o quarto...
Meu marido e minha mãe me receberam, quando vi meu marido finalmente me senti segura e sabia que não poderia me fazer mal,  comecei a contar tudo, eles disseram que não era pra eu lembrar de nada, que a médica tinha dito que eu não lembraria....
Contei tudinho e eles ficaram realmente assustados, como uma médica trata alguém assim?
Disseram que por eu ser gordinha a droga ia demorar pra pegar e que eu entrei em pânico, por isso que me apagaram, há há há que piada...
Continuei sentindo uma dor terrível, remédio nenhum fazia efeito, eu não conseguia nem pensar direito....
Trouxeram o Davi e eu mal pude olhar ele, por causa da dor eu não conseguia me concentrar em nada...
Quando foi depois das 22 horas, minha obstetra veio me ver, eu nem tive como conversar com ela, estava exausta, ela colocou o Davi no meu colo, pela 1ª vez eu peguei meu filho e naquele momento eu virei mãe dele, fiquei realmente emocionada de ter ele ali, com a gente, depois de tantos anos esperando por ele.
Só fui levantar a 1ª vez depois das 3 da manhã, 2 enfermeiras e meu marido me ajudaram a tomar um banho rápido, mesmo passando mal e com uma dor medonha fiz um esforço porque precisava muito urinar e na cama eu não conseguia.
Passei a noite  reclamando de dor, no outro dia perto do meio dia levantei com a ajuda do meu marido e o sangue lavou o chão.... a dor não passava, não melhorava....
As outras mãe que fizeram cesárea levantaram umas 3 horas depois, tomaram banho sozinha, andavam, davam o seio para os filhos,  não ficaram com o acesso, tomando soro e um monte de remédios até a hora da alta, nem as enfermeiras ficavam vindo toda hora ver se estava tudo bem.
Na segunda noite no hospital o Davi teve fome, e eu não tinha colostro, ficamos 3 horas com ele chorando e reclamando, fomos no berçário e disseram que só  a pediatra podia liberar o leite artificial, fizeram teste da glicose e como não deu baixa disseram prá gente ficar enrolando ele até ela chegar.... de manhã a pediatra chegou  e tiveram que dar leite no copinho pra ele.
Ela disse que meu parto tinha sido muito difícil, que eu gritava de dor e que dava pra ver que eu estava sentindo e não inventando...
Recebi alta, estou me recuperando em casa, tomei remédios pra dor, antibiótico para infecção, por conta de tudo isso mas o stress  meu leite só teve gotinhas e não pude amamentar o Davi.
Mas graças à Deus estou melhor, mas não quero passar por isso nunca mais...
Então, chegamos a conclusão que:

 *O anestésico não pegou, desculpe, mas minha cesárea foi feita só com a sedação, isso explica o porque de toda dor que senti.
* Conversando com outro anestesista descobrimos que essa história de eu ser um pouco acima do peso e a anestesia demorar mais para pegar não existe.  
* A droga podia estar vencida, ou não ser de boa qualidade, ou realmente a Dra não aplicou corretamente.
* Pode ser que eu tenha algum tipo de resistência ao anestésico, pode, eu nunca fiz nenhum tipo de cirurgia, mas isso não justifica de forma alguma ela não acreditar em mim, nem dar outro tipo de anestésico. Vou investigar isso...
 Nunca, jamais a anestesista  podia ter me tratado daquela forma! !

Isso foi inaceitável, não se trata ninguém assim, muito menos uma mulher que vai ter seu filho, devia ter sido um momento especial, foi um pesadelo, ela pode fazer partos todos os dias, eu só vou ter esse bebê, eu tentei 6 anos e meio ter esse bebê, ele é nosso filho, era o nosso momento, do meu marido e meu, esse momento nunca mais vai voltar, não pude ver meu filho nascer, ainda fui humilhada, tratada com descaso, estava sozinha, sem meu marido que é pessoa que mais confio no mundo, e ainda podia ter acontecido algo muito pior.
Meu marido não pode ver nosso filho nascer, não pode tirar as fotos que tanto sonhou, não cortou o cordão umbilical, ainda passou pelo susto e desespero de não saber o que estava acontecendo comigo, afinal eu entrei calma, sorrindo para ter nosso filho e em menos de 1 minuto tudo virou um pesadelo.
Estou escrevendo para que alguma providência seja tomada, verificar se a droga estava vencida, se o problema foi o erro da anestesista ao aplicar, independente do que tenha sido nada justifica a forma que fui tratada, ninguém deveria passar por isso, ainda mais num momento tão especial.

Se prá ela nosso filho era apenas mais um, prá gente ele é único, se ela não tem paciência de lidar com gestantes, com carinho e atenção, vá fazer outra coisa da vida, se uma paciente está voltando de uma sedação e está “delirando” quem é ela prá dizer aqueles absurdos.... e se ela tem algum problema mental, que vá se tratar...
Mas não permita que essa mulher continue agindo assim!

O restante de toda equipe da maternidade tratou a gente com muito carinho, respeito e consideração, a anestesista foi um caso isolado.... mas como ela é funcionária de vocês algo precisa ser feito.
Agradeço minha obstetra que sempre nos tratou com carinho e ficou chocada quando contei tudo que houve antes e depois do parto.

Para nós ficou a alegria do nosso filho ter nascido com saúde e apesar de tudo não ter acontecido nada mais sério com ele ou comigo.  
Em mim ficou a sensação de que tive algo tirado de mim, nosso momento especial, ficou o trauma pelo que houve e se dizem que a mulher esquece a dor do parto, eu não vou esquecer nunca, não quero passar por isso jamais! Se um dia a gente quiser ter outro bebê, vai ser por adoção, por que eu não quero passar por nada disso de novo....Nem eu nem meu marido... já estamos tomando providências para uma vasectomia pra não correr o risco de forma alguma de eu engravidar de novo... porque só de pensar em tudo isso eu fico apavorada...

E pensar que todo mundo que eu conheço fez cesárea numa boa, deu tudo certo, nunca ouvi nada parecido.... mas Deus sabe por que motivo tivemos que passar por isso e só desejo que não aconteça com mais ninguém!

Agradeço sua atenção Sr Diretor e aguardo por alguma resposta!

Atenciosamente, Caroline.

13 comentários:

  1. amigaaa uau.... que situação complicada.
    Olha quando tive o Lipe sinceramente sofri um pouco, fiquei fraca, via vultos rs, e ate a enfermeira era uma idiota afff. Mas nada comparado com o seu amiga. Que eles tomem mesmo as devidas providências ....
    bjs Carol e beijos no Davi :)

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  2. Nossa meu Deus...QUE AGONIA AMIGA.
    Eu senti as duas dores do parto, tentaram normal e como o meu filho não descia, fizeram a cesárea e graças a Deus eu não senti absolutamente nada.
    Que hospital foi esse? Quero correr dele.
    Desejo que vc se recupere desse trauma logo.
    Bjs
    www.dotamanhodoceu.blogspot.com

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  3. cite o nome do hospital e dos médicos por favor, inclusive da anestesista!

    precisamos nos precaver!

    obrigada!

    Malu

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  4. poxa amiga que difícil meu Deus
    que anestesista sem noção
    amiga que relato, graças a Deus tudo bem
    com vocês.
    mas estou indignada
    boa tarde bjs

    http://sermamaepelasegundavez.blogspot.com.br/

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  5. Carol que sofrimento, não consigo nem imaginar!!!!

    Ainda bem que acabou!!


    bjs amore

    http://erika-campos.blogspot.com.br/

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  6. Nossa Carol, misericordia...só Jesus neh!
    Ainda bem que valeu passar por tudo isso, o Davi é lindo!!!
    Que anestesista sem noção....bom agora é curtir o Davi, bjus

    Gabi

    http://futuramommy.blogspot.com.br/

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  7. Oiiiii amiga estou participando de uma TAG e quero te convidar p/ participar, bjus!

    http://futuramommy.blogspot.com.br/

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  8. Querida, sinto MUITO pelo que você passou ! Estou grávida de 12 semanas, não sinto enjôos, apenas tenho a pressão um pouquinho baixa e agora só de ler o seu relato, senti tão na pele o teu sofrimento que cheguei a passar mal.. Estou com MUITO medo de acabar caindo nas maos de pessoas assim .. Pelo amor de Deus, diga o nome da maternidade e o nome da anestesista que agora eu fiquei com medo. Bjs e tomara que consiga a justiça que merece.

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  9. Ah, se quiser conhecer o meu blog : http://caixinhadamamae.blogspot.com.br
    Bjusss

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  10. Que pesadelo! Graças á Deus tá tudo bem agora amiga.

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  11. Que pesadelo! Graças á Deus tá tudo bem agora amiga.

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  12. nossa Carol processa a Fulana ... Sempre tive medo de casarea a optei pelo parto normal nas minhas 3 gestações .

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  13. Este comentário foi removido pelo autor.

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